sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

I believe in a thing called love, but I´m not sure if love believes in me

 Ouvi uma musica hoje, que me dizia querer que a gente se importasse em apressar. Que todos os angulos deviam ser observados, que devíamos ler sim as páginas na pressa de em algum lugar chegar. Que devíamos entre todas as coisas, no amor acreditar, ainda que Roma esteja em chamas e com nenhum Cesar em vista para salvar.

Eu sou sempre essa garota nada convencional. Quase nada a temer e muita matéria pra consertar. 1988 e eu era uma pequena criatura, perfeita em inocência e tão marcada em doçura. Lamento que agora eu já não saiba mais denotar, e que de todas as minhas lacunas, só se percebe o que me marca em loucura. É a primavera de minha vida e eu ainda insisto em ler os outros com meus olhos cheios de poesia. Sou profundamente marcada pela suavidade dos afetos, seja noite ou seja dia.

Minha mãe me falou que eu sonhava demais, e que dessa espera na janela, coisa boa não iria brotar. Que eu era uma alma solta, cativando afetos sem laços a toa. Prefiro dizer que eu ainda não sei dizer adeus a tudo que fui, mas que quero me apressar pra ser suave novamente. De todas as lutas que quero enfim acabar e esconder, é a guerra que travo aqui dentro que põe fim ao meu amor tão pueril, e latente

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Soltas Bruxas

Em algum lugar, eu sou uma jornada.

Um caminho de terra fértil, onde o amor fez morada.

Um sorriso, um abrigo, flores crescendo por entre calçadas,

mas a força que habita aqui, permanece intocada.


Eu sou uma bruxa boa, tenho historias brancas a serem contadas.

Um soneto em primavera, pueril em toda sua toada.

Acontece que enfim, o feitiço de outrora surtiu efeito,

e é bem provavel que agora, voce vire meu afeito 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Sobre o Taj Mahal que eu construo todo dia em segredo, sem te contar

 Não sei, mas quem sabe talvez,

esse pequeno poema que escondo de você te faça notar. 

Não apenas a minha existência, mas

o adeus que eu dou a insistência de um dia, do teu lado de dentro, estar.

Até quem sabe

 Não sei, mas se você fizesse

não somente questão de se esconder,

e me pedisse pra estar tão somente sem esquecer,

eu não ficaria tão perdida nessa lógica toda de te querer.

Porque eu te quero mesmo assim sei lá,

mesmo sabendo que você nunca está do lado de cá,

prometendo ser a ultima vez que com sua ausência eu vou estar.


No entanto é assim sem mim,

que você vai ficando e se acostumando. A cada promessa nova

que nunca encontra o fim desse pranto,

perto e bem ao lado das vontades que ficaram enfim, sobrando num canto.

Perto do que poderiamos ser, somos somente uma idéia vaga enfim,

tão somente uma ideia clara do que poderiamos ser, se voce não fugisse

tanto assim de mim

domingo, 29 de novembro de 2020

Ensaio sobre o que vai deixando de importar, e eu de me importar

 É afeto, mesmo quando não é pra ser. Quando mesmo lá no campo, perdido, sufoca entre as pedras e não consegue florescer. O colher não é para tudo, há amores que ficam melhores no escuro.

Há amor que cresce e enraíza, mas há também os saltos sem paraquedas na beira do abismo tamanha a euforia. Tem amor que não tem força para ser: é como um desatino, sem afeto. Uma poesia sem querer!

E tá tudo bem se não vai brotar agora no seu destino: têm amores que brilham melhor num futuro caminho. Tem amor que só de parecer ser amor, já é a sorte de uma vida inteira, mas como a brevidade das flores, esse tipo de amor se perde nas tentativas de sobreviver entre fronteiras. Dá adeus ao que poderia ser destino e vira memória eterna como uma velha brincadeira de alpendre da época que se era menino.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Superposition

Eu queria poder, meio assim sem querer, ter algum poder.

Dispenso a idiossincrasia da fartura, prosperidade injusta, estimada e imatura.

Não voaria daqui até o céu ou conheceria alguma desconhecida altura.

Queria mesmo poder dominar meus sentimentos e tudo aquilo que me sobeja a alma e parece

não ter cura

domingo, 18 de outubro de 2020

"o amor é um cão dos diabos"

 Você partiu, 

(eu juntei os nossos cacos). 

Você me encheu de tantos vazios que

parece que em mim, não restou mais nenhum espaço.

Sentimentos confusos demais para se jogar fora

 Eu achei que você tivesse partido,

e partindo, tivesse levado a minha ilusão.

Mas você nunca foi embora,

fez de mim morada, a prefeitura é o meu coração.


Mas você nunca foi embora,

me faz de refém todos os dias, dos medos de sempre, de outrora.

Um mar de profusão nada pacifico, um olhar sem sentido,

uma estante de confusão.

O que ainda resta dentro desse meu peito que não seja regado a emoção?



quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Ensaio sobre como tudo se dissipa, como dois e dois as vezes dá 30!

 Tudo passa,

o belo que dissipa, o véu que amassa.

E mesmo assim, existe alguma coisa que aqui por dentro, com certa força me rasga.

Tudo passa! 

Alguma ilusão que fica, o vinho que já não mais me traz a ressaca. E quando eu me perco tentando,

eis que me deparo com um pranto perdido em meio a uma coragem de tentar de novo, muito fraca. Tudo passa.

Resta saber o que fica, o que comum aos dois mundos, se torna inerente nesse intenso mar congelado de gente, em meio a todo esse sentimento envolto de friaca.

Tudo passa. Resta-me perguntar a Deus, já que a mão Dele nem sempre pode me prover o tudo, se ao menos o meu pobre mundo vagabundo, pode enfim sonhar com o fim dessa temporada lasciva de lagrimas. Tudo passa?


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Poesia confessional - parte 1: meu demônio do bem

 Aqui água gelada do meu lado, um corpo quente e bastante silencio, mas lá fora existe uma vontade latente de te marcar nas ruas, nos postes, quiçá a pele, mas com toda certeza, cá dentro.

Estremeço, mas não murmuro. Tenho pra mim que a qualquer momento vou te ler por inteiro, por detrás dos teus confusos muros. Sigo essa certeza, persuadindo minha cabeça para que as ilusões de outrora não me venham a memória, e a paciência, esmoreça. 

Eis que insisto, e vejo florescer novas virtudes na redoma inexorável a qual me pertenço, me basto, e é onde enfim, resido. Insisto, não por ter certeza do amanhã, mas pela vontade de ai dentro, me sentir abraçar todos os seus medos, até aqueles que de alguma forma, também compartilho. Insisto, pra te tocar num intento de alcançar bem dentro de onde o amor pode me fazer dar sentido. E a tudo que desconheço, mas ouso dizer que é onde eu existo, invento uma coragem boba de ousar esperar a matéria que não me garante certezas, mas é onde reside a paz dos meus instintos. Me importo de tal forma que esqueço da agua gelada, do silencio e das ruas e postes formando o caminho, e me aqueço com a certeza de que alguma hora o folego que poupei vai me coroar a espera com o que me aguardava no destino

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Nunca se sabe qual o defeito que sustenta o edifício inteiro

 Essa vida tacanha de nada me interessa. Gente que se apequena diante das profusões dispostas à mesa, como se naufragasse num mar de desatino que impede ver o agora e o que por ventura se pode viver daqui até o infinito com bastante certezas.

É que há muitos sinto ojeriza, ora da forma como vivem os santos, ora da maneira fria que o amor sinaliza. Pergunto aos loucos e os que se dizem sentir como poucos: onde está a infinita e tortuosa melodia? Calem para sempre essa vida medíocre que tanto gritam a plenos pulmões como se perdidos em alguma sincope acordados em ilusões. Me devolvam a esperança de dias com hiperônimo, os apólogos e quimeras que eu sinto cá dentro mas que por algum lamento se perdeu num mar de sentimentos anônimos. Podemos enfim dar inicio a vida, antes que ela dê sinais de falência e encontre seu fim, entre um gole de wisky e o jornal do meio dia?

Ode à escuridão, o adeus ao Jaggermaster e o fim de uma tortura em profusão. Bukowski é de fato, algo a servir de inspiração?

 O que sobra, entre as esperas e a escuridão que assola? O medo, a falta, o medo de sentir falta.

E esse ode ao sofrimento, com bastante desatino me lança num mar profuso de sentimento. Tenho morrido aos poucos, aos tantos, aos montes e aos cantos, e cada pedaço restante sente falta do que se perdeu empoeirado na estante.

Tenho sido vaga, folha solta, e por diversas vezes todo esse medo me denota o que me falta. Eu sou as vezes louca, um pouco intensa, e essa loucura não me basta, mas de alguma forma, me acalenta.

Queria mais que isso, queria que tivesse algum sentido bater a porta e dizer o que sinto, mas acho que não vai dar em nada. Tenho visto com algum intento, a agonia se repetir ao expoente da loucura, escrita nos muros, como se quisesse me lembrar de que na paz eu não resido, e até então não fiz morada.

E voce não me deixa em paz, me pisa e me joga no chão. E sem nenhuma pena, me rouba de mim e me prende num holocausto de emoção, sem chance alguma de anistia, ou de pedir a vida por mim perdida, meu sincero perdão.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

"Mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo"

 Tivesse tanto tempo, eu cantava mil canções. Todas numa nota a toa, nenhuma atenta aos acentos e conjunções. Quisesse eu falar em versos, toda poesia que me assola e me devolve os pedaços onde me falto, em afeto. Quem enfim saberia que essa força que eu finjo não sentir há poucos me acordou e resolveu me fazer companhia ? E essa agonia a me jogar no chão: sem dó nem piedade, apenas uma vontade de vivê-la com bastante paixão

Dissesse a verdade toda vez que vejo um não, o que restaria aqui dentro pra virar enfim essa canção? O que me rouba é o mesmo que me devolve: a incrível sensação de que sinto falta do que não digo, mas eu sinto, e isso me envolve.

Tivesse eu, coragem, te faria uma canção. Daquelas bem piegas, revestidas de coração. Mas não pense você que ela seria uma prosa e rima perdida na poesia: seria uma espécie de oração a te guardar aqui dentro, no lugar onde de todo mal a felicidade te protegeria

domingo, 20 de setembro de 2020

Mad wave, soft love

A cidade, cheia. De talvez, de saber, de tudo que a mim não vai preencher. E a leveza que eu cultivo, anda meus passos, sempre de mãos dadas, sempre de bem comigo. Meus passos de outrora, que não mais cabem no agora, cedem lugar para o que é bonito! Gosto de acreditar que o peso indelével do que nos espera, uma hora chega e a tudo reverbera, uma vez que ainda acredito no que não está em voga: tudo só brota quando é primavera. Que eu esteja onde ainda se puder sonhar o que não foi vivido. Que eu lance o olhar pra onde o mundo interior enfim alcance o infinito. E a quem isso possa interessar, onde não houver amor, não ouse vir a ter comigo.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O demônio do bem

 A nossa relação, a nossa doentia relação conosco e com o que consideramos parte de nós mesmos, a quantas anda? Esse demonio do bem que nos sorri de volta mesmo quando tudo em volta parece desmoronar.

Adoecemos os laços, os baços e os abraços cada vez mais escassos. A quantas anda a paz entre o que eu digo e com o que se acumula em meu figado? Nós parecemos alguém, vivemos como alguém, nos vestimos como alguém, mas estamos bem aquém do que poderíamos no tornar no além. Esse nosso alem, esse nosso mar, esse porto seguro que fingimos ser só pra não desmoronar, já deu sinais de que a ferrugem deu lugar à falência. É preciso se indispor do insalubre sabor, e entre o que dizemos e fazemos, não pode existir um abismo entre lamentos, mas consonância para que tudo não se destrua com o  simples soprar do vento. Esse momento é necessário: façamos do pouco que nos restou, a responsabilidade de acreditar que é possível segundas chances, renovação de promessas e o simples e vertiginoso direito de amar.