quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

What a mess

Quando eu dei por mim, tudo já tinha ido embora.
Sem nenhum retrato de adeus, vi o castelo ruir pelos muros afora.
Eu confesso que tentei, que fingi não saber muito mais do que não sei,
mas sobre o que finjo não ver e que por muito pouco ignoro saber,
já não cabe em mim tanta bagunça que pra baixo do tapete, insisto em esconder.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

From Bangkok to Calgary

Sim, desde que eu decidi eu fugi,
e foi fugindo que me vi ficar,
e foi ficando que eu me fiz te dar,
todo o amor que percebi não ter ido embora ainda de mim!

E de mim, essa assustada presa,
tão profusa e cativa do seu profundo em dor,
me entristeço de saber que o que dos meu lábios sai
não te convence que há em mim algum pedaço em amor

E embora haja desejo a te contar sobre esse amor,
há também alguma reticência por tudo que não for.
Por tudo que já errei, na intercessão de nossas estradas
você segue sendo o caminho que mais me convida, mesmo com toda promessa de dor.

E vai ser ficando que eu te farei entender,
que não vai ser fugindo que seremos um pra sempre ou um começo, enfim.
Todos os sinais cá dentro se acenderam pra te dizer,
que o caminho de terra fértil está definitivamente pronto pra brotar dentro de mim!

Desabafos

Quero me importar com o quanto eu vivi, da mesma forma como eu a todos esses anos em penitência vivi. Há tanto estrago quanto há de vida, tanta estrada quanto há de birra. Há tanta pureza quanto há estranheza e há tanta lascívia quando há leveza. Um ser inteiro em desencanto, que faz de toda essa espera seu maior desengano. Eu que fui passiva de mim, que me boicotei e afoguei as flores todas do meu jardim, hoje exaspero uma pressa de reunir algumas de todas as perdidas peças que ficaram caídas pelo que sobrou de mim. Espero, corrosivamente espero que lá no fundo desse universo tenha sobrado alguma prosa e algum verso que faça valer a pena emergir todo o cuidado e amor que a vida dedicada a me dar, impeço !

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

O monstro de aço

Na madrugada em que a minha pele se habitou de amor,
e o sangue que me habita inteira, errou de veia e se perdeu,
descobri que nos recônditos quartos do meu eu,
um monstro inteiro, meio confuso e aceso, abriu o olho e enfim se acordou.

Nesse instante, ao perceber
que o meu medo era mais um projeto em dissabor,
fiquei feliz por saber, que
 eu ainda conseguiria conceber, mesmo sem saber, algum tipo de amor.

Mas o medo ainda vai arrumar espaço em mim,
achou lugar, permitido pelo receio de não encontrar imensidão em ti.
Quando o dia em que esse receio for confundido pelo alento e pela imensidão de suas asas,
você perceberá que sobre mim e sobre esse amor , tu ainda não sabe nada

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

The devil's request

Eles estão vindo buscar minha alma, 
essa mesma tão soturna que não suporta sequer ouvir o som de sua própria fala.
Eles olham pra mim com tamanho escárnio,
consigo ouvi-los rindo, aos montes, com certo sarcasmo,
escandalizando o abismo que cresce dentro de mim, com certo espaço.
As vezes eu só queria ouvi-los me aplaudindo, em vez de parecer
que não mais que obrigação me havia sido pedido, com certo prazer, com todo
louvor que os ensinamentos sobre amor aquela vez pareciam enfim, fazer sentido.


Eles enfim estão vindo, e uma hora ou outra, vai acabar todo esse pavor. Minha alma surda enfim acabe cedendo ao infortúnio de partir para dentro do que o demônio pede e vive dizendo: dê um fim à toda essa dor

Spoiler alert

E eu que não fui feita pra ser caos,
me vejo imersa sem ser habitada
e toda a tentativa de acerto velada
confundida com bravatas por mim, tão inimaginadas.
Leaving me aside,
babe where should i go?
Maybe that mess flooded my heart
and maybe this love soaked my soul

Eu que já havia previsto essa tempestade
desde o primeiro instante que te vi,
agora me pergunto se entre os acertos
ha algo não obtuso que evite esse fim.
Far from all this confusion
there is a heart and love hidden deep down in his blow.
Maybe he took my heart
and i'm pretty sure he took my soul

De volta ao ostracismo

Eu sempre tive predileção pelo romantismo. Não a ideia ocidental de prosperidade nas coisas, mas essa coisa bucólica de que tudo poderia ser salvo com molduras de beleza, carinho, afeto e por aí vai!
Eu romantizei a gente. Achei que sua distância era medo de se entregar a algo, que o fato de você não mover um passo de formiga em direção a mim era dúvida, receio de expor seu afetos e toda essa coisa que me engano para dar forma ao que temos!
Hoje, analisando tudo, algumas quedas depois, percebo que romantizei demais. Ouvia o que você me dizia na penumbra do quarto, que me queria em meio a todo aquele abraço, e esqueci de enxergar que você na verdade estava apenas ali, sem nenhuma reciprocidade ou laço.
Também pudera, você não é  obrigado a sentir de volta, na mesma intensidade e na mesma verdade, os afetos que por ora alguém resolve dedicar. Você tem sua vida sob um mar revolto e inúmeras questões a lidar, e uma garotinha assustada a bordo, em muito pode te atrapalhar. Eu realmente gosto de você, e arrisco um amor que você não pediu pra merecer, mas que mesmo assim somente pra ti, eu pude oferecer. Não consigo mais ter medo de iniciar uma fala ou até mesmo de tentar um caminho até seu apreço e dar com os burros na água! Eu aceito todos os seus dilemas, mas ainda não sei lidar com tamanha indiferença. Estive doente, soturna, e com certeza eu me levaria à loucura se continuar insistindo no que não é verdade, não é recíproco!
Eu amo você, com todo o requinte do que me transporta para perto, mas não consigo mais dar um passo mendigando seu afeto. Eu gostaria muito que você me desmentisse por completo,que me dissesse que nenhuma dessas linhas guarda verdades sobre seu escondido afeto, que mesmo em meio a toda essa dúvida, você iria abrir espaço pra gente tentar fazer dar certo, mas temo guardar novas ilusões se assim eu decidir esperar. Queria que seu sentimento por mim fosse recíproco, que você encontrasse em mim também abrigo, seguro o suficiente pra nada te assustar. Não consigo mais insistir, ao menos não com você se esforçando tanto pra me afastar! Eu te quero tanto, mas isso não pode ser motivo para toda hora eu me sentir tão triste. Encontrar você é algo que somente existe se eu imputar força para que esse momento uma hora, aconteça. E esse amor vai ser sempre poesia, talvez algum dia você se abra de novo e permita ser invadido por alguém que mais sorte do que eu, consiga te amar! Desejo que você se encontre nesse mar revolto em pesadelo que você insiste em navegar - ou talvez em naufragar?- e que comum a todos os nossos medos, reste somente a fé de que alguma hora, a sorte possa enfim te encontrar.

Vou sentir muito a sua falta!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Sobre os trinta e dois caminhos que me tiram a paz

Tenho pensado no meu fim, certeiro. E em cada passo até lá.
(teria eu sucesso? É o fim enfim, dentre os caminhos, meu único sucesso?)
Tenho pensado deveras nisso, e talvez somente por isso, sigo eu batendo, um peito vivo desesperadamente aberto.
Tenho lembrado do começo. E em cada forma pueril de acerto.
Ao mesmo tempo tanta coisa se perdeu, sem ao menos ter significado tudo que se viveu
como uma janela aberta que por causa do vento, deteriorou sua matéria em prol de todo vivido tempo.
Eu já não me pertenço mais! A força que em mim habita, divide forças com os sonhos que por fim, ficaram pra trás. Tenho pensado bastante nisso, etalvez somente por isso é que eu não encontro mais, o caminho de volta para a paz

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Love someone

Eu não sei usar branco, nem seda. Na metade do dia, já tinha manchado de café, de biscoito e de uma metade de mim que teima em emergir em meio a tamanha incerteza. Talvez  eu não sirva pro branco, pro café ou para o biscoito. Ou apenas talvez-  e somente talvez-  eu não sirva é pra paz

They're special or spotless

-Vês? - perguntou ele
-Vejo o que? - retrucou ela
-Aquele canto escuro ali, tão confortável fazendo morada dentro de mim?
-Aquele quarto velho, lotado de poeira e abafado?
-Nao! Aquela poltrona de desafeto, tão macia que me acolhe por completo!
-Só vejo profundeza e pó. Não era você, outrora um menino, hoje tão bem homem crescido, capaz de limpar seu próprio afeto?
-Não, jamais! Há um apetite voraz pelo que não nutre o meu peito aberto!
-Claro! Não há janelas para visitar o seu próprio inferno! Não poderia você deixar a luz entrar?
-Somente as vezes quando a luz tão serena vem docemente, meu sono embalar


                                                (...)

-Cê sabia? - perguntou pela primeira vez, ela
-O que? - retrucou ele
-Há em mim bastante poesia
-Também pudera!
-Tão obvio assim?
-Somente um pássaro ileso pode fazer morada do que no mundo inteiro, não se pode dominar
-E sou eu um pássaro ?
-Daqueles que não se prende em gaiolas, mas faz do amor o convite para que o jardim visite sem que os carinhos sejam confundidos com alguma esmola


sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

As coisas que aprendo todos os dias

Há em mim um tanto de vontade quanto de desistência, ora pela preguiça contida nos finais ou nos acertos do que conquisto por insistência. E sobre essa vontade em desistência, sinto muito em declamar, mas não faço portos seguros no que não é além mar. A estrela que  me alegra, que se une ao desiludido coração tão partido nessa era, agora sorri de volta enquanto sua luz apaixonada faz o caminho de volta, à sua espera. E sobre os aflitos pedidos de findar toda essa espera, me despeço da premissa de que essa pressa oprimida vai me levar a algum lugar, onde hajam portas enfim, abertas. Quanto mais eu peço, mais eu impeço de deixar algo fluir. Não é sobre o amor todas as vezes, mas sobre que tipo de história - aqui dentro e também cá fora - quero eu construir

Ha um oceano entre nós

Toda glória aos afetos calados, ao que não é dito e nem revelado, mas é vivido com um grito contido, as vezes mantido entre  labios cerrados.
Ao que não é exposto, apenas sentido, que não seja preciso um pedido continuo para que se torne amor. De volta ao coração, apenas de graça sem que haja ameaça ou se desfazendo em dor, pois do contrário somos apenas contrarios forçando um abrigo, com o que preciso for

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Heaven

Me aquece, a calma - que uma alma inquieta não se atreve e fala.
Me esquece, como uma prece, que foi feita há uns anos quando distante da paz nem tudo parece.
Eles dormem, embora haja despertar,
o coração embalsamado, foi tomado em solidão por ali, ninguém estar

Eu esperaria, se um farol me guiasse até o fim,
Mas a luz se esconde da treva que nunca acha uma brecha pra fazer nascer algo desse jardim!
Dos meus pés cansados de correr, os passos apressados se encaminham para perto de ti,
mas os portões que se fecham, pedem para que eu parta para longe desse pedaço esperançoso de mim

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Eles falam do amor pra mim

Já se esgota enfim meu mundo de poesia, uma vez que ele não sobrevive de amanhãs, mas de gotas intensas de todo dia
E esse todo dia não precisa ser afeito à matéria humana que em mim, bate lá dentro
Só precisava emergir quando enfim fosse preciso sentir de volta algum acalento.

Mas não há matéria humana que resida em abismos,
posto que só reside solidão entre as trabéculas de seus gritos.
E de nada adianta, me fazer inteira de sorrisos,
só floresce e reverbera quem faz do coração, imenso abrigo

domingo, 26 de janeiro de 2020

Ode to my family

Estamos tão perto do fim, e ainda falta tanto a ser dito
uma vez que falhamos, como humanos crescidos, sabemos o tamanho do nosso imenso abismo.
Ela que diz que errou, mal sabia que tanto era dito em meio a toda aquela dor
E enquanto o silêncio gritava, minha mente de menina feita, se fechava pro amor
Eles não sabiam, ou fingiam ou acreditavam que acertavam
por entre as ausências daqueles momentos que de sentimentos, pra mim faltavam.
Esqueciam, e riam e eu que tanta coisa sentia, padecia
Mas parecia que os gritos soturnos por ninguém, se ouvia.
E toda essa agonia, vestida de lama e de afeto,
ficou pra trás, com o passar do tempo - assim eu espero!
Somente me esmero para o que for de mim, flor que habita,
já que meu coração e seus afetos não permitem a presença de qualquer visita