quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Chico Buarque de Holanda


Amou daquela vez como se fosse a ultima
Beijou a boca dele como se fosse a unica
Se entregou a ele como o chão que usa

E acabou o samba em pleno carnaval!

Deixou que lhe tocasse qual Judas num beijo,
Descansou no seu colo como criança no peito
Riu como se fosse um domingo de clássico!

Mas acabou antes da quarta feira de cinzas!

Lembrou daquela vez embaixo das estrelas
Na vez onde chupou com a boca tão tímida!
Acelerou o passo qual um cão que corre
Pra arrasar sua presa num imenso bote,
Andou na contramão, atrapalhando o ritmo

E a culpa é dela, é somente dela!

Agora, ela vai embalando a vida
Com rendas e bordados, com vermelhas fitas!
Beijar somente com um sutil desprezo
Se entregar somente com um preço e prazo
Acorrentar a sorte a andar no passo
E rir da sua vida qual Judas num beijo!

Um comentário:

Paulo Eduardo disse...

Gostei da "releitura", da "Construção" desse belo poema, desse polissêmico jogo de palavras.

Ah! Essa menina já está ficando melhor que o "Mestre"!